Roteiro Egito

Março de 2020, alguns dias antes de estourar a pandemia de COVID-19 decidimos ir em frente com a viagem para o Egito. Decisão baseada na falta de informação sobre o vírus na época e muita esperança de que estaríamos seguros com um guia turístico particular e hospedagem em hotel de luxo. Com a informação que tenho hoje, não teria embarcado, porém, não me arrependo. A viagem foi ótima, conhecemos os principais pontos do Egito sem aglomerações e com as pirâmides praticamente vazias e à nossa disposição.


DOCUMENTAÇÃO Para entrar no Egito, brasileiros precisam de visto, que é expedido na chegada ao país. É preciso também a vacina para a Febre Amarela – para mais informações sobre documentos necessários para entrada no Egito entre em contato com o Consulado Geral do Egito no Brasil.


ROTEIRO Cairo & Alexandria 3 dias com Guia + 1 dia livre


Chegamos no Cairo, vindos em um voo de 4 horas da British Airways direto de Londres, numa quinta-feira de madrugada. Contratei o serviço de guia e de translado de ida e volta do aeroporto pelo Guia de Egito. Fomos recepcionados antes da imigração e auxiliados na emissão do visto, foi tudo muito simples e rápido. Pegamos as bagagens e seguimos direto para o hotel para dormir algumas horas. Havia chovido muito nos dias anteriores e o Cairo não é estruturalmente preparado para chuva devido ao clima desértico. Por isso as ruas estavam totalmente alagadas e demoramos mais que o previsto para chegar no hotel. Check-in feito no Hotel Fairmont Nile City por volta das 5am, tivemos pouquíssimas horas para descansar!


DIA 1: Gizé + Sakkara

Após um café da manhã completo no hotel – e descobrir que devido ao Covid o hotel estava com apenas 12 hóspedes – o que criou uma enorme ansiedade e dúvidas sobre a viagem – o guia nos buscou e partimos diretamente para a atração principal do Cairo: As Pirâmides de Gizé. O local estava vazio e nos deixaram entrar de carro no parque, o que normalmente não é permitido, e foi ótimo porque ventava muito. Por lá ficamos ouvindo o guia nos contar toda a história do local e tirando fotos, muitas fotos! Seguimos para conhecer a Esfinge e voltamos para o carro depois de algumas horas. O guia nos levou até o Museu do Papiro onde vimos o processo de produção do papiro e claro que compramos umas lembrancinhas.


O dia continuou em direção a Necrópole de Sakkara, cerca de 40 minutos do Cairo, onde se encontra a pirâmide mais antiga do mundo com mais de 4.ooo anos. O parque arqueológico de Sakkara é enorme e novas descobertas são feitas frequentemente. Nos foi oferecido uma opção de almoço em restaurantes locais, mas por causa das incertezas do Covid optamos por fazer as refeições no hotel para tentar minimizar a nossa exposição ao vírus, quero voltar ao Egito em tempos normais para poder explorar mais a cidade e sua gastronomia.


DIA 2: Museu Nacional do Cairo + Cidadela de Saladino + Bairro Copta + Mercado Khan el Khalili


A primeira parada do segundo dia foi o Museu Egípcio (no início de 2021 um novo e mais moderno museu foi inaugurado). O museu tem muita história e informação, mas achei bem esculhambado. Na área onde estava a exposição sobre Tutankhamun não era permitido tirar fotos. A lojinha do museu, que eu amo visitar e sempre rende boas comprinhas tinha ótimos itens para decoração, eu comprei um livro de mesa com fotos lindas sobre Tuttankhamun. De fato, o museu estava precisando de uma reforma e o novo museu, maior e mais moderno merece ser visitado. Mais um motivo para eu voltar para o Egito.


Após o museu seguimos para a Cidadela de Saladino onde se encontra a Mesquita de Muhammad Ali. O local é uma antiga fortaleza medieval que era usada como sede do governo Egípcio e onde seus regentes residiram entre os séculos 13 e 19. Por toda sua história, a Citadela foi declarada Patrimônio Histórico pela UNESCO em 1976. A Mesquita de Muhammad Ali é aberta ao público e pode ser visitada. Por estar no topo de uma colina, a Citadela tem uma vista privilegiada do Cairo, de lá se enxerga a Cidade dos Mortos, uma necrópole onde os mausoléus abandonados são utilizados como residência pela população carente do Cairo. Em dias claros e de boa visibilidade – uma raridade no Cairo por causa da poluição excessiva - é possível avistar as Pirâmides de Gizé do miradouro da Citadela.


Seguimos o passeio do dia no Bairro Copta, bairro Cristão do Cairo. Visitamos a Igreja Abu Serga, conhecida como Igreja da Caverna que é Católica Ortodoxa e segundo a história local foi construída no local onde José e Maria teriam se escondido com Jesus ainda bebê durante 2 meses em sua passagem pelo Egito.


A caminho da próxima parada do dia o guia nos levou à uma loja de essências, onde fomos recepcionados com o típico chá de menta e apresentados aos diferentes perfumes e cheiros produzidos no local. Saímos de lá com uma essência de laranja e um difusor. Essas paradas estratégicas feitas pelos guias são bem desconfortáveis, rola uma pressão bem forte para que o cliente gaste seu dinheiro lá.


Terminamos o dia no Mercado do Cairo Kahn el-Khalili onde passeamos pelas ruazinhas cheias de lojas de souvenires. Em comparação com outros mercados (Souks) que já fui em Dubai e Marrakesh, achei este uma experiência um pouco menos autêntica. Talvez por estarmos no início da pandemia e cheios de inseguranças em relação à contato com outras pessoas, visto que esse foi o nosso primeiro contato real com pessoas sem ser o nosso guia. Os locais que havíamos visitado até então estavam todos completamente vazios. Com as mãos cheias de sacolinhas do Souk voltamos para jantar no hotel. Menção honrosa para o restaurante Árabe Bab el Nil que tinha uma comida maravilhosa!



DIA 3: Alexandria

Partimos cedinho do hotel para pegar 3 horas de estrada até Alexandria, cidade histórica colonizada pelo Rei Grego Alexandre, O Grande que dá nome à cidade. Chegamos direto para visitação das Catacumbas de Kom el Shoqafa, originadas no século 2 com forte influência do Império Romano. As Catacumbas estão em ruínas devido a diversos terremotos e enchentes do mar ao longo de tantos anos. Nas ruínas é possível ver o Templo de Serapeum e sua biblioteca subterrânea. O local é aberto e o sol fortíssimo já pela manhã, afinal estamos no continente Africano, não é mesmo... Muito filtro solar e chapéu para proteger a cabeça do sol, mesmo no inverno. Eu fui despreparada e sofri!


Das Catacumbas fomos vistar Qaitbay, hoje uma fortaleza e Mesquita, era onde se encontrava o famoso e uma das sete maravilhas do mundo antigo: Farol de Alexandria. Assim como as catacumbas o farol foi severamente destruído por terremotos da região. Por lá é possível alugar uns barquinhos que fazem passeios pela baía e ver o local de outra perspectiva. O governo Egípcio planeja um museu subaquático no local para acesso aos destroços do farol que ainda estão submersos por lá.


A última parada do dia foi na Biblioteca de Alexandria, casa de mais de 8 milhões de livros. O local é um grande complexo cultural construído em 2002 para lembrar a biblioteca original, uma das maiores e mais significantes bibliotecas do mundo antigo, que foi perdida no tempo. A biblioteca conta com museus, espaço para conferências e alas de leitura. Há também uma sala especial dedicada às obras que ganharam o prêmio Nobel de Literatura desde 1901.


Mais 3 horas de estrada que se estenderam devido ao trânsito caótico do retorno para o Cairo.


Dia 4: Cairo

Havia deixado o dia livre pra passear sem rumo pela cidade, visitar algumas lojas e bairros, relaxar na piscina e spa do hotel e fazer um passeio de Felucca pelo Rio Nilo, porém a realidade foi que passamos o dia no quarto do hotel tentando adiantar o nosso voo de retorno para Londres. Sem sucesso na tentativa de mudar a volta, ficamos no quarto descansando até o horário de partida na madrugada seguinte.


Minhas impressões gerais sobre o Egito foram muito positivas, com certeza não foi o melhor momento para visitar o país. Mas fiquei com vontade de voltar, ver o que faltou conhecer no Cairo, fazer o famoso cruzeiro pelo Rio Nilo e conhecer outras cidades litorâneas no Mar Vermelho que tem resorts e hotéis ótimos.


O povo Egípcio depende muito do turismo e são de forma geral muito hospitaleiros e simpáticos, no entanto, devemos lembrar que esta é uma cultura muito diferente da nossa brasileira e deve ser acima de tudo, respeitada. Seus costumes, gastronomia e vestimentas são ricos e refletem a história do país. Observe as pessoas locais, aprenda e seja um viajante consciente.