Roteiro: Escócia de Carro

Julho de 2021, prestes a completar 500 dias de pandemia, vacinados e loucos de vontade de tirar alguns dias de férias decidimos fazer uma viagem de carro de uma semana para a Escócia. Já estive lá em 2007 e 2012 então o passeio não foi nenhuma novidade, mas foi bom para trocar de ares e aproveitar um país de tão fácil acesso para nós que moramos na Inglaterra.



O roteiro de 7 dias começou partindo de Londres com destino a Edimburgo, onde ficamos em um hotel que serviu de base para esta viagem. Essa estratégia funcionou porque esta foi a nossa terceira viagem para Escócia e já conhecemos quase tudo por lá e assim pudemos aproveitar as facilidades de um hotel mais estruturado. Para quem vai pela primeira vez, sugiro que fique em Edimburgo por apenas 2 noites e se hospede em outras cidades durante a viagem.


DIA 1


De manhã partimos de Londres em direção à cidade Inglesa de Bicester, cerca de 1h30 de viagem. Lá o objetivo era ir ao Outlet de luxo Bicester Village. Eu adoro ir lá e sempre encontro alguma coisa com preço bom. Terminamos as compras a tempo de tomar um bom café da manhã no Café Wolesley antes de pegar a estrada de novo.


De Bicester seriam 6 horas até Edimburgo, mas nossa viagem levou 8 horas por causa de um engarrafamento na estrada causado por uma obra. As estradas aqui são de ótima qualidade devido as constantes manutenções, mas essas obras geram um trânsito intenso. De forma geral no Reino Unido não há pedágios, a não ser em raras exceções. Optamos por pagar um pedágio de £7 para pegar uma estrada mais nova, porém é possível chegar lá evitando o pedágio.


Na estrada não havia muito o que ver, algumas ovelhas e só, fizemos várias paradas em postos de serviço que são de acesso fácil. Todos os postos têm banheiro, restaurantes, cafés e supermercado.


Ainda na estrada recebi uma ligação do hotel que havia reservado, o Waldorf Astoria, avisando que estavam com um problema na água quente e que teríamos que ir para um outro hotel por uma noite para que eles pudessem arrumar. Achei justo e uma boa solução, chegamos em Edimburgo e fomos direto para o Sheraton. Pedimos serviço de quarto com pressa durante o check-in porque o serviço encerrava as 21h. Vale dizer que o Sheraton é um business hotel e não oferece o conforto que esperávamos ter nessa viagem.


Algumas opções de cidades para parar no caminho para Edimburgo: Liverpool, Stoke-on-Trent, Kendal e Blackpool.


DIA 2


Manhã de folga para descansar das muitas horas dirigindo no dia anterior. Eu particularmente não gosto de fazer viagens de carro, acho chato e bem cansativo.


Reservei para almoçar no The Scran & Scallie Pub que se autodenomina um gastropub com comida escocesa moderna. O pub é parte do grupo de restaurantes do chef estrelado Tom Kitchin. Menção honrosa para a steak pie que estava perfeita. O restaurante é bem concorrido, é preciso fazer reserva.


DICA TOP: Peguei várias sugestões de restaurantes no app do Guia Michelin. São restaurantes normais, não estrelados, mas que tem ótimo atendimento e uma excelente qualidade nos ingredientes. Os restaurantes têm algumas classificações diferentes como restaurantes confortáveis ou restaurantes simples e assim você pode escolher os tipos de restaurantes que preferir. Vale muito a pena dar uma conferida no app quando for montar seu roteiro.


Pós almoço fomos bater perna no centro histórico, pegamos um taxi até o Castelo de Edimburgo que fica na parte alta da cidade. O Castelo pode ser visitado e ingressos devem ser comprados com antecedência no site oficial. Já havia visitado o Castelo em outra ocasião então esse turismo ficou de fora do roteiro desta vez.


OUTRA DICA: A lojinha que fica bem na esquina da área de acesso ao Castelo é o melhor lugar para comprar lã e cashmere. The Tartan Weaving Mill foi onde eu encontrei os melhores preços. Não comprei nada nessa primeira parada porque achei que era pega-turista, mas vendo as outras lojas ao longo do dia percebi que era a melhor opção e fiquei de voltar outro dia.


Parada obrigatória no Whisky Museum, também já havia feito o tour do museu em outra ocasião e dessa vez fomos apenas na loja para comprar whisky. Na loja, conversando com o vendedor, ele nos ofereceu para subir ao bar onde pudemos provar alguns tipos de whisky antes de comprar. O bar oferece vários tipos de tasting flights de acordo com o seu gosto pessoal, vale a pena para quem realmente gosta de whisky.


O resto da tarde passamos andando pelo centro histórico até voltar para o hotel e descobrir que teríamos que ficar mais uma noite no Sheraton já que o problema ainda não havia sido resolvido no hotel que reservamos originalmente. Para o jantar fiz reserva no Ondine, restaurante de frutos do mar que também peguei a dica no app do Guia Michelin. As vieiras que pedimos de entrada estavam uma delícia. Aprovadíssimo!


DIA 3


Para o terceiro dia havia comprado ingressos para visitar o Balmoral Castle, residência de verão da Família Real na Escócia. Para chegar lá foram 2h30 de estrada partindo de Edimburgo, o acesso ao castelo é por uma estrada bem sinuosa que atravessa o Parque Nacional Cairngorms, cheio de fazendas e uma das 5 estações de esqui da Escócia: Glenshee Ski Centre. Foi um passeio bem tranquilo, já que a estrada estava vazia, com muitas paisagens e oportunidade de paradas para fotos.


DICA VALIOSA: Prepare um piquenique para levar, o castelo conta com um restaurante, mas li reviews bem ruins da comida e do afternoon tea, então achei melhor nem tentar. Os jardins são lindos com uma vista maravilhosa do castelo, com tempo bom é o local ideal para aproveitar ao ar livre, além de aceitar a entrada de cachorros caso você queira levar o seu. A Escócia de forma geral é muito dog friendly.


O tour pelo castelo é independente com o auxílio de um áudio-guia. Dentro do castelo mesmo só é possível visitar o Ballroom – salão de festas, onde não é permitido tirar fotos. O resto do tour é na parte externa, com acesso à horta, estufa de flores, campos e beira de um riacho que corre pela área. Passamos mais ou menos umas 2 horas no local aproveitando a paisagem e fazendo muitas fotos. Voltamos para Edimburgo para poder finalmente trocar de hotel e ir para o que havia reservado originalmente, o Waldorf Astoria.


Para o jantar, fiz reserva no The Broughton, outro gastropub simples, mas muito bem recomendado pelo app do Guia Michelin. Atendimento e comida excelentes!


DIA 4


Tomamos um café da manhã caprichado e nota 10 do hotel já que o dia seria longo e de muitas horas de estrada. No total foram 8 horas dirigindo, um carro confortável fez toda a diferença na viagem. Como mencionei no início do post, para quem vai pela primeira vez minha sugestão é que se hospede nas cidades pelo caminho, para não ter que ficar indo e vindo e aumentar o número de horas de estrada e gastos com combustível.


A primeira parada foi Inverness, onde paramos em um supermercado e abastecemos o carro com comidinhas para piquenique. De lá dirigimos pela margem do famosíssimo Lago Ness até Fort Augustus. Procuramos algum refúgio para parar e poder almoçar na estrada, mas as paradas eram bem estreitas e a vegetação bem alta na beira da estrada então não sentimos segurança para ficarmos parados ali e preferimos andar mais alguns quilômetros e achar um local mais tranquilo para parar.


Chegamos em Fort Augustus, onde paramos por alguns minutos, mas decidimos seguir viagem já que estava bem movimentado e queríamos um local mais tranquilo. Seguindo pela estrada as margens do Lago Oich é cheio de restaurantes e hotéis com vistas lindíssimas dos lagos. Seria muito mais legal parar e almoçar em algum desses lugares do que ter que ficar caçando um local calmo e sem movimento para fazer um piquenique. Como já havíamos comprado comida seguimos procurando um lugar tranquilo para parar.


Essa foi a minha segunda vez fazendo essa mesma viagem, a primeira vez foi em 2007, e nenhum desses hotéis e restaurantes existiam, por isso eu tinha a impressão de que não iria ter muitas opções para alimentação na estrada, mas as cidades se desenvolveram e aumentaram muito e hoje tem de tudo por lá.

Achamos uma parada na beira do Lago Lochy e por lá fizemos nosso piquenique no porta-malas do carro com um visual lindo do lago e das montanhas que o cercam. A água dos lagos costuma ser geladíssima, mas isso não espantou um grupo de mulheres que estavam por lá de nadar. As achei muito corajosas!


Depois do almoço, seguimos viagem para Fort William, onde pegamos um pouco de trânsito e não paramos. Já havia visitado Fort William em 2007 e não reconheci a cidade, que mudou muito. Antes pacata e sem muitos atrativos, hoje movimentada e com diversas redes de restaurantes. Acho que seria uma ótima opção para hospedagem com localização estratégica entre as highlands e os lagos.


Seguimos de volta para Edimburgo dirigindo pelas highlands, vale mencionar que nesta época do ano – julho – anoitece super tarde na Escócia então não precisamos nos preocupar muito com horários, visto que as estradas são cheias de curvas e não há iluminação o que dificultaria dirigir a noite. Aproveitamos até o último raio de sol para fazer várias paradas e tirar muitas fotos das paisagens deslumbrantes.


De volta ao hotel e exaustos nos rendemos ao serviço de quarto para o jantar.


DIA 5


Dia de dormir até tarde, bem tarde, para descansar. Eu sempre deixo pelo menos um dia livre nos meus roteiros para poder voltar em algum lugar que tenha gostado, descansar e não ficar muito presa a nenhuma atividade.

Havia feito reserva em um restaurante italiano para o almoço, mas a reserva foi cancelada porque um funcionário havia testado positivo para Covid e o restaurante iria ficar fechado pelos próximos dias. Resolvemos almoçar no restaurante do hotel mesmo, que tem um menu simples e sem muitas opções.


A tarde fomos para o centro histórico da cidade para voltar na loja de cashmere em frente ao castelo e fazer algumas comprinhas. Achei que valeu muito a pena, e fiz boas compras de lãs e cashmere aproveitando que era época de promoções.

Para o final da tarde havia reservado a piscina do hotel, e para lá fomos dar uma relaxada. Queria muito ter feito uma massagem no spa do hotel que é operado pela marca de cosméticos francesa Guerlain, mas todos os horários já estavam reservados.


O jantar foi em um japonês muito bom que achamos por chance nas proximidades do hotel, o Kanpai Sushi. Recomendo fazer reserva, estava bem cheio e as mesas são bem concorridas.


DIA 6


Mais um dia de estrada, dirigimos 3h35 para chegar na região dos famosos whiskies escoceses – Speyside. A cidade de Dufftown é uma ótima opção para hospedagem para quem quiser visitar mais de uma destilaria. Algumas destilarias da região são: Macallan, Cardhu (Johnie Walker), Glenlivet, Glenfiddich...

Quero muito voltar e ficar apenas nesta região para poder conhecer mais destilarias.


Esta também é a região onde é possível ver as famosas highland cows, aquelas vacas que têm uma franjinha comprida em frente aos olhos. Quase todas as destilarias têm uma pequena manada elas são uma atração turística a parte. E ficam lá pastando tranquilas e recebendo os visitantes.


Reservei para o almoço a Elchies Brasserie na destilaria da Macallan, um dos mais famosos e prestigiados whiskies da região. A destilaria abre para tour somente nos finais de semana durante os meses de verão e os ingressos já estavam esgotados quando comecei a planejar esta viagem. O restaurante não tem um menu fixo e o chef usa apenas ingredientes locais. A comida estava excelente!


Claro que degustamos alguns whiskies, que o meu marido adora e eu estou começando a aprender a apreciar. Obviamente não saímos de mãos vazias, a lojinha tem garrafas de edições especiais para colecionadores assim como os lançamentos do ano. Vocês sabiam que existe todo um mercado milionário de trading de whisky?


Seguimos para a destilaria que fabrica o renomadíssimo Johnnie Walker, mas as 17h já estava fechada. Fique atento aos horários, as coisas fecham cedo por lá.


Mais 3h35 de estrada de volta a Edimburgo, tivemos muita dificuldade em achar um restaurante para jantar. Devido as restrições do Covid os restaurantes estavam trabalhando com horários reduzidos e servindo até no máximo 21h. Acabamos em um Wagamama que era um dos poucos locais ainda abertos.


DIA 7


Dia de fazer check-out e pegar a estrada de volta para a Inglaterra e para a nossa última parada desta viagem. Foram 5 horas dirigindo até Nottingham, cidade conhecida pela lenda de Robin Hood.


Nos hospedamos no Crowne Plaza e não tenho nenhuma reclamação a fazer, mas também não tenho nenhum elogio.


Passeamos pelo centro da cidade no final do dia. Andamos pela Old Market Square, que estava lotada. Fomos também até a entrada do castelo de Nottingham para ver a estátua de Robin Hood. Era domingo e este não é um bom dia para turismo no interior da Inglaterra, tudo fecha muito cedo. Diversas lojas e restaurantes nem abrem aos domingos. Mas conseguimos dar uma volta pela cidade e ver alguns dos principais pontos turísticos.


Acabamos parando para jantar em um, pasmem! Hooters. Isso mesmo que você leu a rede de fast-food americana tem uma filial em Nottingham, que é uma cidade universitária. Não preciso nem dizer que foi um erro! Havia pesquisado alguns outros restaurantes bem recomendados, mas todos estavam fechados no domingo e na segunda-feira, só reabrindo em alguns casos na quarta-feira. Então minha dica é ir à Nottingham durante a semana, entre quinta-feira e sábado para poder aproveitar tudo que a cidade tem para oferecer.


DIA 8


Último dia e hora de voltar para casa. Tomamos café da manhã no hotel e partimos para mais algumas horas de estrada até chegar de volta em casa, em Londres. Desfazer as malas, colocar a vida em dia e lembrar do velho clichê: viajar é bom, mas voltar pra casa é melhor ainda.


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